Posts Tagged ‘homofobia’

Guacira Lopes Louro na UFMG – amanhã, 10 de abril.

09/04/2010

Diversidade sexual na educação: problematizações sobre a homofobia nas escolas

29/03/2010

Publicação SUPER bacana.

Vale a pena conferir.

Documento completo aqui.

O SHOW DA REALIDADE – Breves notas sobre o BBB da homofobia

26/02/2010

Texto de:

Maíra Fernandes Martins Nunes

Pesquisadora de Comunicação e Análise do Discurso e amiga querida, do sossego e do sufoco.

Uma possível explicação para a febre dos reality shows é que esse gênero de programa exibe como se inventa uma celebridade e, desse modo, espetaculariza a própria lógica da televisão. Mais do que isso, oferta-se o sonho hollywoodiano a meros anônimos. O fetiche de aparecer na tevê é compartilhado com os telespectadores que, dia-a-dia, acompanham a invenção dos novos ídolos e as especulações sobre suas vidas após a participação no programa. Quem vai posar pra revista, aparecer no Faustão, arriscar uma carreira artística. Em artigo publicado na Folha de São Paulo, Ivana Bentes faz algumas apreciações sobre o assunto e observa que os tipos sociais que aparecem na telinha pertencem ao (e massificam o) imaginário da classe média urbana: o marombeiro estilizado, a empresária paulista, os dançarinos e modelos.

Depois de uma dezena de reality shows com personagens mais ou menos triviais, a Globo resolve polemizar o BBB. Temos um resultado insólito: meia-dúzia de mocinhos e mocinhas exibindo músculos e silicones; uma mulher de opinião que incomodou (no Brasil, mulher tem é que cuidar da balança, ir ao salão de beleza e caçar homem pra casar, e não fazer doutorado); alguns representantes da diversidade sexual – uma drag, um gay assumido, uma lésbica bem-resolvida; uma dançarina barraqueira e um troglodita com declarações machistas. Óbvio que este último – dotado de alguns músculos, mais arrotos sobre a mesa (acreditem: reivindicados como um direito másculo), declarações ignorantes (só gay contrai AIDS!) e, óbvio, ameaças contra mulheres (deveria bater até desmaiar numa fulana que coloca o dedo na sua cara!) –, agradou em cheio.

O fenômeno chocou além das fronteiras do país. Sites internacionais noticiaram a façanha de um homofóbico-machista que consegue encantar multidões no Brasil. Que mérito para o país do turismo sexual: além de exportar bundas, ainda ensina ao mundo como é que o macho deve calar mulheres e bichas. Faz vergonha. Além disso, o país sofre lapsos de memória. Há seis anos, o mesmo personagem declarou em rede nacional que queria vomitar em Caetano Veloso, ofendeu uma sister e saiu do programa com 68% de rejeição. Mas faz tanto tempo, né? Agora ele é bonzinho: diz que covarde é a fêmea que provoca a vontade de bater no homem, mas ele se controla para não ficar feio no horário nobre do Boninho. Como se não bastasse, nosso rambo à brasileira incitou a fúria dos homofóbicos do país. Circula na internet uma torcida que o corteja como Mestre e esbraveja gritos de guerra: “Dourado é Força Hetero”, “Orgulho Hetero”, “BBB 10 não é colorido, é dourado”. Curiosamente, uma comunidade do orkut que apóia o lutador exibe a seguinte frase no seu perfil: “não me curvarei perante as adversidades”. O efeito sonoro e gráfico do texto produz um trocadilho que sugere “não me curvarei perante as diversidades”.

O mais assustador é que esse personagem, idolatrado por ser “autêntico”, dispara como favorito dessa edição do reality show. Movimentos que reivindicam os direitos das minorias sexuais protestam em vão. Muita gente dá de ombros e acha que os milionários do BBB são estrelas cadentes, assediados pelas mídias e depois facilmente esquecidos, varridos das notícias por novos meteoros do mercado cultural. Não é bem assim. Como diz Néstor García Canclini, para milhares de jovens de classe média o modelo de triunfo social é ser um ex big brother. Os ganhadores do programa encarnam no imaginário coletivo o perfil dos bem-sucedidos. Após a vitória quase unânime de Alemão na sétima edição, pipocaram matérias em revistas sobre como ser um vencedor na vida, em que o rapaz era protagonista das narrativas. O ídolo do BBB 7 também encarnou o protótipo de machão, dividido entre o amor puro da moça ingênua e as tentações da mulher libidinosa. O triângulo novelesco animou a audiência, que elegeu o rapaz loiro como o herói da trama, enquanto seu rival Caubói amargou um elevado índice de rejeição. Como prêmio, o “bom-moço” engordou a conta bancária no BigBangueBangue. Mesmo depois de encenar uma discussão de baixo nível com uma sister, em que insultou de forma obscena a jovem, com as mãos sobre a genitália. A cena, claro, foi deletada na edição da Globo, mas circula até hoje no youtube.

A décima edição do programa garante o retorno do machão, ainda mais politicamente incorreto e especialista em frases bombásticas que seduzem tietes. Alguns aprendizes do Mestre veneram e assumem seu discurso machista; outros fazem malabarismos para defendê-lo das acusações. O mais inacreditável que eu li foi num blog em que o fã defendia o lutador argumentando que ele dissera justamente que não batia em mulher e que por isso não quebrou o dedo da sister, nem a nocauteou até desfalecer. É tão fácil ver que o jogador afirmou seu desejo por denegação… É claro que são frases feitas, estratégias ardilosas de jogo para angariar audiência. Obviamente, o objetivo dessas notas não é apedrejar publicamente o jogador. É simplesmente refletir sobre os efeitos de adesão que sua imagem vem produzindo nas massas. Como, por exemplo, a excitação dos grupos homofóbicos, a permissividade da violência contra a mulher. O que não é banal, visto que as estatísticas apontam para assassinatos diários de homossexuais no país. O apoio massivo à homofobia e à misoginia, mesmo através de um ato simbólico, pode representar o retrocesso do respeito ao feminino, ou o atraso do reconhecimento das minorias sexuais. Direitos que vêm sendo a duras penas conquistados.

Debate Público: Homofobia na UFMG 2

22/05/2009

Para quem foi no debate do ano passado, vale a pergunta: de lá pra cá, o que mudou? o que foi feito? o que está sendo feito? e o que será feito? compareçam e alimentem a discussão. tod@s são bem vind@s! Mais uma ação do GUDDS! – Grupo Universitário em Defesa da Diversidade Sexual. Clique aqui para saber mais.