Velocidade da web causará perda de memória, diz Umberto Eco

13/05/2008

Em entrevista publicada no jornal espanhol “El Pais” e reproduzida pelo caderno Mais! deste domingo, o romancista Umberto Eco fala sobre a velocidade da internet e como ela afeta a troca de informação.

PERGUNTA – O que é certo é que alguns anos atrás o sr. disse que viveríamos de modo rapidíssimo, e agora vivemos em velocidades supersônicas.
ECO – E tudo o que existe agora será obsoleto dentro de pouco tempo. Até o e-mail será obsoleto, porque tudo será feito com o celular.

Talvez as novas gerações se acostumem a isso, mas existe uma velocidade do processo que é de tal calibre que a psicologia humana talvez não consiga adaptar-se. Estamos em velocidade tão grande que não existe nenhuma bibliografia científica americana que cite livros de mais de cinco anos atrás.

O que foi escrito antes já não conta, e isso é uma perda também quanto à relação com o passado.

PERGUNTA – Tanta informação faz com que os jornais pareçam irrelevantes.
ECO – Esse é um de nossos problemas contemporâneos. A abundância de informação irrelevante, a dificuldade em selecioná-la e a perda de memória do passado -e não digo nem sequer da memória histórica. A memória é nossa identidade, nossa alma. Se você perde a memória hoje, já não existe alma; você é um animal.

Se você bate a cabeça em algum lugar e perde a memória, converte-se num vegetal. Se a memória é a alma, diminuir muito a memória é diminuir muito a alma.

Completo aqui.

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2 Respostas to “Velocidade da web causará perda de memória, diz Umberto Eco”

  1. Tiago Maluta Says:

    Adorei a reportagem. O Umberco Eco sempre faz boas análises do nosso mundo contemporâneo. Dessa matéria, cito a utilização dos famosos “Feeds RSS” para garimpar informação na internet, o volume de informações que recebo/leio via feeds (através do Google Reader) é tão grande que as vezes não fixo alguns temas interessantes. Tenho que anotá-los a parte para poder pesquisar melhor a informação.

  2. moreira Says:

    maravilhoso isso. Por outro lado tenho visto muitos projetos em design e novas mídias que investigam a memória, sobretudo pessoal, o que pode ser um esforço de recuperar esse contato com o passado e com a identidade.
    Umberto é o cara!


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